A disrupção dos drones a partir dos smartphones





Você pode estar usando seu drone (ou pensando em obter um drone) para fazer fotos de férias e vídeos de casamento ultra romântico, mas você deveria estar pensando mais. E se, em vez de tirar fotos, seu drone pudesse ajudá-lo a monitorar centenas de hectares de lavoura? E se pudesse fotografar as falhas de um edifício ou torre de transmissão? E se ele pudesse corrigir essas falhas ou adubar essa lavoura assim que ele detectasse o problema?

Assim como os carros de autônomos podem fundamentalmente reestruturar a forma como as cidades funcionam, os drones têm um potencial disruptivo que é difícil de exagerar. Eles podem mudar a forma como as pessoas e os bens são transportados. Eliminar alguns trabalhos e criar outros e avançar a maneira como pensamos a distância. Os drones podem levar a internet para pessoas que não a têm, entregarem alimentos e remédios para as pessoas que precisam. Até esporte os drones estão criando, são as corridas de drones! Essa nova indústria tem que trabalhar junto com os órgãos reguladores para fazer com que a tecnologia realmente funcione, porque há alguns riscos assustadores para um mundo onde os drones enchem o céu.

Estamos no início da revolução do drone, o Phantom da DJI é uma versão inicial de algo ainda mais inteligente, mais rápido e mais cognitivo. Ninguém sabe ainda como esses objetos voadores se integrarão em nossas vidas. Mas essas máquinas voadoras poderão estar no céu antes dos carros autônomos serem comuns em terra.

Os primeiros drones

Um equipamento que você pode chamar de "drone" pode realmente encaixar em uma ampla gama de categoria. Uma delas é um veículo totalmente autônomo que voa sem qualquer intervenção humana. Outra é mais como um avião de controle remoto: um piloto ainda está no comando, mas ele está no chão comandando o drone, ou em uma sala em algum lugar pilotando e assistindo em uma tela de computador ou através de um par de óculos. Os dois tipos envolvem diferente tecnologia e com diferentes potenciais, mas ambos podem ser chamados de drone. Logo vamos considerar um drone como algo descrito acima para os propósitos deste artigo.

A ideia geral de drones existe há muito tempo. Não é um conceito novo realmente: nós inventamos várias maneiras de voar, mas muitas delas são perigosas como misseis e aviões de combate. Então, não seria ótimo se não precisassem estar sentados dentro da máquina de voar para pilotá-las? O conceito de controle a distância é antigo, veja pela demonstração de "tele automação" de Nikola Tesla em 1898, no qual ele controlava remotamente um pequeno barco através de frequências de rádio, ou Charles Kettering, que construiu o "Kettering Bug", um míssil automatizado na Primeira Guerra Mundial.

A ideia dos drones iniciaram principalmente como um projeto militar. Eles são ferramentas de vigilância perfeitas, pequenas e ágeis o suficiente para evitar a detecção enquanto voam sobre o território inimigo - e se forem detectados e destruídos, o único custo é construir outro. Depois, começaram a anexar bombas aos drones, permitindo que eles destruíssem seu alvo. O drone Predator, concebido na década de 1990, mudou a forma como os EUA enfrentam a guerra. Ele mantém as tropas dos EUA fora da linha de frente, reduzindo as baixas humanas. Os ataques dos Predadors podem ser incrivelmente precisos e matam centenas de civis. A guerra com uso de drone tem sido muito debatida desde a sua criação - é tanto um debate tecnológico quanto moral, pois tira os soldados e comandantes da frente de batalha e deixa o comando remoto, o que retira toda a emoção humana, deixando a decisão de matar milhares de vidas mais fria emocionalmente falando.

Do lado civil os drones surgiram de uma comunidade de pilotos de avião por controle remoto. No final dos anos 2000, alguns aeromodelistas descobriram que os micro controladores com mais alguns sensores como acelerômetro para medir o movimento, um giroscópio para orientação direcional poderiam equipar suas máquinas voadoras, era o início da era do aeromodelismo elétrico.

Os avanços dos drones foram conseguidos por causa da evolução dos smartphones, pois eles que reduziram o tamanho dos componentes como GPS, sensores de movimento, giroscópios, barômetros e câmeras, além de criarem escala na produção. Com toda a tecnologia desenvolvida e a escala reduzindo o custo as inovações dos drone foi questão de tempo.

Até alguns anos atrás, porém, ninguém teria pensado em drones como brinquedos de pessoa comuns, mas em 2010 a Parrot apareceu na CES e surpreendeu a conferência com o AR Drone. O quadricóptero da Parrot foi controlado por um iPhone, tinha câmeras na frente e atrás para capturar as imagens aéreas. Impressionante, transformou a pilotagem de drone em algo como um jogo de realidade aumentada. Mais importante, o AR Drone era simplesmente fácil de pilotar. A Parrot incluiu todos os sensores, que já eram comum em um smartphones, e os usou para programar o AR Drone para o manter estável. Você ainda precisava pilotar o drone, mas ele se mantinha estável no ar o deixava para o piloto somente os comandos de ir e vir subir e descer.

Foi em 2013 que os drones realmente começaram a decolar. Foi quando uma empresa chinesa chamada Da-Jiāng Innovations Science and Technology Co. Ltd, mais conhecida como DJI, apresentou o Phantom. O fundador da empresa Frank Wang e sua equipe construíram um quadricóptero de 2kg pronto para voar. O Phantom poderia executar acrobacias pré-programadas e truques de câmera com o toque de um botão. E se você perdesse o controle ele estava programado para voar automaticamente para você. A DJI fez o primeiro drone que era um brinquedo ou uma ferramenta e imediatamente fez a DJI o nome mais importante em drones.

Desde o primeiro Phantom, as empresas vêm desenvolvendo novos e melhores drones com recursos cada vez mais avançados. Algumas construíram drones maiores que podem transportar câmeras maiores ou pequenos pacotes; outras construíram pequenos drones, apenas brinquedos, que custaram menos que US$30. O avanço dos processadores de smartphone continuou a alimentar a inovação do drone, a Intel e a Qualcomm começaram a trabalhar em chips e softwares específicos para drone. Os drones ganharam a capacidade de evitar obstáculos automaticamente, permanecem firmes em ventos fortes e voam cada vez mais longe e por mais tempo.

Atualmente, você pode obter um drone com uma câmera 4K, com 30 minutos de vida útil da bateria e voar por mais de 5km, que pode voar autonomamente e evitar obstáculos sozinho, por cerca de US$1.000. Adivinha quem faz esse drone, a DJI. Não importa o quão rápido o mercado mude, DJI continua ganhando. Da poderosa linha de Matrice ao drone de entrada Spark ninguém faz e vende mais que a DJI. Ela possui até 70% do mercado de drones. A 3D Robotics (que foi fundada pelo antigo editor-chefe Chris Anderson da WIRED) e GoPro fizeram alguns grandes lançamentos no mercado de drone, e ambas não conseguiram ser melhor que a DJI. Startups como Lily Robotics e Zano desmoronaram antes mesmo de chegar perto. Até mesmo a Parrot desistiu do mercado de drones. O único concorrente real da DJI, a Yuneec, compartilha a maioria das vantagens da DJI: baseia-se suas fábricas e instalações de pesquisa na China, mas ainda não chegou nem perto do market share da DJI.

A FAA espera que 4,3 milhões de drones de hobby por ano sejam vendidos em 2020, mas essa é apenas uma pequena fatia do mercado. Os céus podem um dia ser preenchido com drones, mas eles serão voltados principalmente para motivos profissionais.

O Futuro dos Drones

Se você quiser deixar um aeromodelista em pânico basta dizer estas três letras: FAA, no caso do Brasil Anac. O trabalho dessas agencias é regular a aviação, ou seja, os céus, certificando-se de que tudo o que voa faz de forma responsável. Ao longo dos últimos anos, as agências passaram a ter um grande interesse por drones. Novos regulamentos foram lançados sobre como os usuários podem pilotar drones e o que esses drones podem fazer.

Por exemplo, no Brasil: os drones não tripulados atualmente não podem pesar mais de 25 quilos, o que exclui a criação do táxis drone. Qualquer coisa que você está voando deve ficar em sua linha de visão, e os operadores só podem controlar um drone por vez, de modo que as empresas não poderão controlar suas frotas de um escritório. Você só pode voar durante o dia e nunca em áreas congestionadas ou sensíveis e sempre abaixo de 40metros de altura.

Haverá mais regulamentação nos próximos anos, esclarecendo como e onde os drones podem voar sem causar problemas. Por enquanto, os países estão com regulamentações ainda branda o que permite teste e avanços nos drones. A Amazon vem testando o Prime Air, enviando pequenos pacotes para alguns de seus clientes no Reino Unido, e espera um lançamento mais amplo em breve. Enquanto isso, a Dominos está entregando pizzas em toda a Nova Zelândia e Zipline está transportando remédios para áreas rurais de Ruanda. A UPS está desenvolvendo um sistema que o caminhão vai até o bairro e depois disparam uma frota de drones que fazem as entregas em cada casa, depois eles voltam para o caminhão. Os drones podem entrar em áreas inalcançáveis ​​ou inseguras para avaliar a situação ou entregar os suprimentos necessários. Quase em qualquer lugar que os seres humanos não podem ou simplesmente não querem ir, um drone pode chegar e olhar ao redor.

Pesquisadores e engenheiros já estão começando a pensar em enxames de drones. Foi observando como os pássaros e insetos voam em dezenas ou centenas, que os pesquisadores pensam que os drones podem funcionar em conjunto. Eles poderiam transportar mais carga ou dividir o trabalho de inspeção, agindo como um conjunto de muitas cabeças em vez de um monte de objetos voadores individuais. O enxame de drones já foi usado em um show no intervalo do Super Bowl e para avaliar danos e planejar reparos na sequência do furacão Harvey. E aqui no Brasil usado na abertura do Rock in Rio.

As empresas imobiliárias estão usando drones para fazer filmagens promocionais e cineastas os usaram para reinventar a cena de perseguição. Uma câmera que voa oferece uma visão útil para a mídia, para vídeos de casamento e muito mais. É uma ferramenta de inspeção valiosa, também, capaz de percorrer rapidamente uma ponte ou um campo em busca de problemas e, em breve, o mesmo drone corrigirá esses problemas. Drone racing está crescendo rapidamente e já aparece na programação ESPN, é um esporte espetacular, porque você vê na perspectiva de primeira pessoa, como se estivesse voando.

Vale a pena mencionar que os produtos anti-drone estão chegando tão rápido quanto os próprios drones. Você já pode comprar um drone que pega outros drones, uma bazuca que libera uma rede com pesos para arrastar drones para baixo ou mesmo um emissor de radiofrequência que o impede de voar. Até mesmo falcões e outras aves de rapina estão sendo treinadas para atacar e abater os drones.

Há muitas razões para as pessoas se preocuparem: uma câmera que voa em breve fará mais do que apenas tirar fotos. A câmera no seu telefone está aprendendo a reconhecer o seu rosto, para permitir a realidade aumentada, mesmo para ver no escuro com imagem térmica ou infravermelha e essa tecnologia migrará para os drones. Por isso a regulamentação é importante: os drones já podem detectar uma pessoa mesmo a algumas dezenas de metros, e as implicações desse Big Brother são assustadoras. Os drones, como qualquer outra coisa, podem ser usados para espionagem e rastreamento e todos os tipos de violações de privacidade. Ainda assim, essas mesmas câmeras permitirão um voo melhor, recursos e jogos mais divertidos e novos usos para drones além do que alguém já pensou. Toda vez que seu telefone fica um pouco mais inteligente, o mesmo acontecerá com o seu drone.

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